Kobe: uma lenda se despede

Por Lázaro Campos Junior

(Imagem: Harry How)

(Imagem: Harry How)

No dia 13 de abril, o astro do Los Angeles Lakers anotou incríveis 60 pontos em seu jogo de despedida da NBA. Seus feitos justificam o reconhecimento. Penta-campeão da NBA, 3° maior pontuador da história da liga. De forte personalidade, atraiu ódio dos rivais pela sua qualidade fora do normal, mas foi homenageado por eles nesse adeus. Kobe é, simplesmente, para muitos, o maior jogador que pisou numa quadra de basquete depois da saída de Michel Jordan. Vamos relembrar a história dessa, agora, lenda do esporte.

Kobe Bryant viveu na Itália durante a infância, onde seu pai, Joe Bryant, era jogador profissional de basquete. Na época de ensino médio, Kobe voltou para os Estados Unidos, e jogou pelo time de sua escola, Lower Marion. O seu destaque atraiu a atenção e propostas de universidades com times fortes no basquete. No entanto, Kobe não aceitou as propostas, e se inscreveu para o Draft de 1996 da NBA. O jovem acreditava que já tinha potencial suficiente para a liga profissional.

No Draft de 1996, Kobe foi selecionado pelo Charlotte Hornets, mas o gerente de operações do Lakers na época, Jerry West, já havia descoberto Kobe e negociou uma troca pelo jovem talento. Enquanto o Lakers cedia ao time de Charlotte o experiente pivô Vladimir Divac, o time de Los Angeles recebia o novato Bryant. Aquilo que foi, na época, uma aposta, se tornou um evento histórico para a NBA.

Kobe e seu bigode após o draft (Imagem: Juan Ocampo)

Kobe e seu bigode após o Draft de 1996 (Imagem: Juan Ocampo)

Desde sua primeira temporada, Kobe contou com a presença de Shaquille O’Neal na equipe angelina; mas foi em 1999-00 que a dupla passou a ser treinada por Phil Jackson, vencedor de 6 títulos pelo Chicago Bulls. Essa temporada é o marco fundador de uma dinastia do Lakers na NBA. A equipe conquistou o tricampeonato durante os anos de 2000, 2001 e 2002. A respeito desse período, Zé Boquinha, comentarista de basquete dos canais ESPN, disse em entrevista ao Arquibancada: “Quem ganhou os prêmios foi Shaquille, mas a parceira foi notável, com cada um fazendo sua parte. Porém havia certo antagonismo entre os dois”.

Nas duas temporadas seguintes (2002-03 e 2003-04), a parceria não repetiu os resultados anteriores e, com os crescentes desentendimentos entre O’Neal e Bryant, o mais experiente deixou o Lakers com destino ao Miami Heat.

Dois anos depois, em 22 de janeiro de 2006, Kobe deixou uma das suas marcas individuais na história do basquete. Na partida disputada contra o Toronto Raptors, o ala-armador do Lakers anotou 81 pontos. Essa  é, até hoje, a 2ª maior pontuação de um jogador em uma partida da NBA, perdendo apenas para a de 100 pontos de Wilt Chamberlain, no dia 2 de março de 1962.

Para a temporada 2006-07, Kobe mudou o número de sua camiseta de 8 para 24. A razão mais aceita é a de que seria uma homenagem para sua dedicação 24 horas ao jogo. Na temporada seguinte, a vinda de talentosos companheiros como o espanhol Pau Gasol levou o Lakers de novo a disputa de títulos. Em 2008, na temporada em Kobe foi eleito o melhor jogador mais valioso da temporada (MVP), o Lakers perdeu as Finais para o arquirrival Boston Celtics. Porém, em 2009, derrotou o Orlando Magic e deu o troco em 2010 na equipe de Boston. Nos dois títulos ele recebeu também o prêmio de melhor jogador das Finais. Zé Boquinha comenta: “Ele foi o ídolo do time e responsável pelos títulos”.

Em seu momento de despedida, 20 anos após iniciar a trajetória no Lakers (Imagem: Mark J. Terril - AP)

Em seu momento de despedida, 20 anos após iniciar a trajetória no Lakers (Imagem: Mark J. Terril – AP)

Depois do bicampeonato, o Lakers não voltou a disputar títulos. A decadência de Kobe foi acompanhada pela piora de desempenho da equipe. Mesmo assim, em 2013, o astro renovou o contrato com a franquia: 48 milhões de salário por 2 anos. Na NBA, a dinâmica salarial é determinada por teto salarial (todos os times da liga tem um custo máximo de gasto com o salário de jogadores), e esse contrato assinado por Kobe foi importante para a qualidade da equipe posteriormente. Zé Boquinha comentou a respeito: “Pesou muito na renovação do time, mas foi uma espécie de prêmio e também esperança que ele pudesse jogar em alto nível novamente”. Algumas lesões, no entanto, afastaram-no vários momentos das quadras. Na sua penúltima temporada (2014-15), Bryant ainda bateu a marca de Michael Jordan em pontos anotados e tornou-se o 3º maior cestinha da história da NBA, somente atrás de Karl Malone (segundo) e Kareem Abdul-Jabbar (primeiro). Para Zé Boquinha, Kobe foi o jogador mais completo depois de Jordan, e a semelhança de seu estilo de jogo com a lenda do Chicago Bulls foi seu grande diferencial em relação aos outros na NBA.

Michael Jordan, à esquerda, pelo Chicago Bulls, contra Kobe Bryant, à direita (Imagem: Getty Images)

Michael Jordan, à esquerda, pelo Chicago Bulls, contra Kobe Bryant, à direita (Imagem: Getty Images)

 

Números de Kobe Bryant

Tabela2-Kobe Bryant

(Imagem: André Calderolli/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior)

 

Números de Michael Jordan

Tabela1-Michael Jordan

(Imagem: André Calderolli/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior)

Em dezembro de 2015, já durante a temporada 2015-16, Kobe anunciou a aposentadoria. Além da já citada última e sensacional apresentação no último dia 13, Kobe deixa um legado, comentado por Zé: “a marca de um jogador fora de série, que liderou uma franquia durante muito tempo; e isso fica evidente nas suas últimas partidas e nos tributos das torcidas adversárias ao seu trabalho. Numa franquia que tem duas lendas, Magic Jonhson e Kareem Abdul Jabbar, Kobe se junta ao dois”. Talvez, o mais significativo deles.

Os maiores pontuadores da história da NBA (Imagem: André Calderolli/Comunicação Visual - Jornalismo Júnior)

Os maiores pontuadores da história da NBA (Imagem: André Calderolli/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior)

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