Tchau, Rio 2016

Apuração: Natália Belizario Silva
Texto: Carolina Unzelte e Giovanna Querido
Imagens: Daniel Miyazato / Comunicação Visual – Jornalismo Júnior 

Desde outubro de 2009, os Jogos Olímpicos de 2016 na cidade do Rio de Janeiro são uma realidade: o anúncio da sede, a primeira na América do Sul, gerou grandes expectativas – boas e ruins. As discussões sobre a capacidade do país em receber adequadamente um evento desse porte, as polêmicas da prioridade de gastos de verbas públicas para o evento e uma crise política e econômica no meio do caminho foram grandes acontecimentos que antecederam os Jogos.

Finalizado o Rio 2016, o Brasil se consolida nos rankings de medalhas com as melhores colocações da história de sua participação: foram 19 nos Jogos Olímpicos, com sete de ouro; enquanto nos Paralímpicos, conquistou 72 premiações, sendo 14 delas no primeiro lugar. No entanto, a meta de ficar nas primeiras dez posições, estabelecida pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) não foi atingida – ficamos na 12ª posição. A delegação paralímpica, por sua vez, ficou na oitava colocação.

Em termos mais amplos, os Jogos deixam como herança o investimento em infraestrutura para a cidade maravilhosa: uma nova linha de metrô, a revitalização de um porto e novos projetos municipais, além de complexos esportivos, foram impulsionados pelas Olimpíadas mas ficam para a população carioca. Outro legado foi a exposição do país em âmbito mundial e a mostra da capacidade de países em desenvolvimento em administrar grandes competições.

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Além disso, o projeto Rio 2016 trouxe melhoras para a gestão esportiva do país que devem ficar para os próximas competições, trazendo a tendência de manter a melhora no desempenho: a implementação de inovações como a importação de treinadores em esportes em que o Brasil não é tão tradicional e capacitação de treinadores brasileiros, além de melhoras na estrutura de treinamento que incentivaram a formação de novos atletas são exemplos dessa política.

Os Jogos Rio 2016 também foram marcados por discussões de representatividade e diversidade: as mulheres ganharam destaque tanto por seus feitos dentro do ginásio quanto por suas personalidades que combatem estereótipos; os atletas paralímpicos foram aplaudidos com ingressos esgotados e pelo envolvimento dos brasileiros nas modalidades paralímpicas; e os refugiados de países em crises humanitárias também chamaram atenção para esse problema de ordem mundial. Dentro do país, no entanto, a representatividade dos atletas ainda deixa a desejar, com a maioria dos atletas vindos da região Sudeste.

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Por outro lado, a consolidação de esperanças há muito cultivadas também marcou os Jogos: a medalha de prata de Diego Hypolito depois da frustração em jogos anteriores e o tão esperado primeiro lugar para o futebol masculino são exemplos disso. O inesperado também teve lugar na competição, com a prata de Felipe Wu no tiro esportivo logo no primeiro dia e a eliminação do time brasileiro no vôlei feminino logo quartas de final.

Recordes quebrados por brasileiros também não faltaram ao longo dos Jogos, com o paralímpico Daniel Dias se tornando o maior nadador paralímpico, com 24 medalhas, e Thiago Braz, do salto com vara, batendo 6,03m. Os destaques para o país também ficaram por conta de Isaquias Queiroz, da canoagem, com duas pratas e um bronze, e o primeiro atleta brasileiro a ganhar três medalhas em uma só Olimpíada e Rafaela Silva, que ganhou o ouro do judô após superação pessoal e profissional, além do primeiro ouro brasileiro no boxe com Robson Conceição.

O saldo positivo dos Jogos de 2016 deixa um misto de saudade e antecipação para Tóquio 2020: que os pontos positivos possam se repetir e que os que deixaram a desejar possam servir para traçar novos e melhores caminhos.

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