O destino dos esportistas após a aposentadoria

Por Luis Henrique Franco

Mesmo para os melhores, a realidade é triste: sempre há de chegar aquela hora em que se admite que está na hora de parar. Entre os esportistas, esse momento costuma chegar mais cedo, visto que são raros os profissionais que permanecem em atuação por muito tempo após os quarenta anos.

Várias são as razões para o encerramento de uma carreira esportiva. O esforço exigido durante os jogos e as competições gera um desgaste físico que se torna mais e mais visível conforme os anos passam, até chegar ao ponto em que não é mais possível continuar. As diversas contusões e os inúmeros machucados obtidos durante o período de atuação contribuem para encurtar a vida como esportista. Sem contar que surgem novos jogadores para substituí-los.      

De treinados a treinadores

Quando o tempo de atuação de uma pessoa como esportista termina, o mais esperado para ela fazer é se tornar treinadora daquela atividade. O mundo dos esportes é muito maior e engloba muito mais pessoas do que apenas os jogadores.

De maneira geral, um grande jogador torna-se técnico do time no qual fez história. Foi o caso, por exemplo, do ex-jogador e atual comentarista do SporTV Muricy Ramalho, que defendeu as cores do São Paulo como atleta na década de 70, exerceu o cargo de auxiliar em 1994 e atuou como treinador entre 2006 e 2009 e no período de 2013 a 2015.

Muricy Ramalho em uma de suas passagens pelo São Paulo Futebol Clube

Muricy Ramalho em uma de suas passagens pelo São Paulo Futebol Clube (Imagem: Reprodução)

Outro exemplo de grande jogador que se tornou treinador após sua aposentadoria foi Zinédine Zidane, craque francês de origem argelina que fez imenso sucesso tanto em equipes como Bourdeaux, Juventus e Real Madrid quanto na seleção francesa, pela qual ganhou a Copa do Mundo de 1998. Tendo encerrado sua carreira em 2006, Zidane assumiu a equipe principal do Real Madrid ano passado e segue no cargo até o momento.

Fora do ambiente futebolístico, o jogador de vôlei Bernardinho tornou-se um exemplo por causa de suas conquistas tanto dentro das quadras, em especial a conquista do ouro nos Jogos Pan-Americanos de Caracas em 1983 e da prata nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984, quanto fora dela. Como técnico, Bernardinho comandou a Seleção Feminina entre 1994 e 2000, conquistando três Campeonatos Sul-Americanos, uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1999 (Winnipeg) e duas de bronze em Olimpíadas, a primeira na de Atlanta, em 1996, e a última na de Sidney, em 2000.

Pela Seleção Masculina, a qual assumiu em 2001 e deixou o cargo neste ano, Bernardinho conquistou, dentre outras coisas, quatro medalhas olímpicas – dois ouros (Atenas e Rio de Janeiro) e duas pratas (Pequim e Londres), oito Campeonatos Sul-americanos e duas Copas do Mundo.

Bernardinho anunciou a sua saída da Seleção no início do ano (Imagem: Reprodução)

Bernardinho anunciou a sua saída da Seleção no início do ano (Imagem: Reprodução)

Os comentaristas dos esportes

Outro possível caminho para se seguir quando a carreira nos esportes acaba é se tornar comentarista em programas esportivos, analisando as jogadas através de sua própria experiência.

Na cobertura de jogos de futebol, por exemplo, a maioria dos canais de televisão possuem uma equipe formada por ex-jogadores. No caso da Rede Globo, a dupla que acompanha o narrador Cléber Machado é formada por Caio Ribeiro, jogador revelado nas categorias de base do São Paulo e famoso por integrar as duas últimas formações do Tricolor lideradas pelo técnico Telê Santana, e Walter Casagrande, atacante que fez história no Corinthians durante a década de 80.

Na Rede Bandeirantes, por seu lado, o ex-futebolista Denílson, campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002, vem ganhando destaque por seus comentários em alguns jogos e pela participação no programa Jogo Aberto.

Denílson integra a equipe do programa "Jogo Aberto" (Imagem: Reprodução)

Denílson integra a equipe do programa “Jogo Aberto” (Imagem: Reprodução)

Durante as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, a emissora da família Marinho selecionou um grupo de ex-atletas para acompanhar e comentar as diversas modalidades dos jogos. Entre os membros do chamado “Time de Ouro”, estavam os medalhistas Giba, do Vôlei Masculino, e Fabi, do Vôlei Feminino, a ginasta Daiane dos Santos, a jogadora de basquete Hortência e a saltadora Maurren Maggi, todos esportistas históricos do Brasil e com muito conhecimento em seus respectivos esportes.

Além de comentaristas, muitos ex-jogadores vão mais além e chegam a apresentar importantes programas das emissoras nas quais trabalham. É o caso de Neto, ex-futebolista que teve uma atuação marcante no Corinthians e que, atualmente, comanda o programa Os Donos da Bola, na Band, no qual discute os principais jogos da rodada e as expectativas para as próximas disputas .

Caminhos alternativos

São  numerosos os esportistas que se mantêm ligados às suas áreas de atuação anos após sua aposentadoria. Mas não são todos que optam por uma vida atrelada ao esporte. Alguns preferem seguir um outro tipo de carreira, diversificando suas atividades e assumindo novos papéis na sociedade.

Um dos maiores ídolos das décadas de 80 e 90 do futebol brasileiro, Romário, carregou a Seleção em 1994, quando foi conquistado o tetracampeonato mundial. Também fez história como um dos poucos jogadores a atingir a marca de 1000 gols. Com a sua aposentadoria, tentou abrir alguns negócios e teve uma breve passagem como comentarista da Record durante os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011. Contudo, em 2009, o jogador já havia se afastado dos campos e seguido para uma vida política, sendo eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2010 e alcançando o posto de presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara em 2013. No ano de 2014, tornou-se senador e ocupa o cargo até o momento.

Há também um grande número de esportistas que, após deixarem suas respectivas modalidades, entraram para o mundo dos filmes, tornando-se atores. Em Hollywood, são muitos os nomes saídos dos ringues, como Dolph Lundgren (detentor do Campeonato Australiano de Caratê de 1982), Dwayne Johnson (WWE), Gina Carano (MMA) e Dave Bautista (WWE). Sem contar as lendas das artes marciais Bruce Lee e Jet Li, os quais fizeram fama em filmes de ação.

George Foreman, medalhista de ouro nas Olimpíadas de 1968 e ícone do pugilismo mundial, por sua vez, tornou-se um homem de negócios e garoto propaganda de inúmeros produtos.

George Foreman: campeão dos ringues e homem de negócios (Imagem: Reprodução)

George Foreman: campeão dos ringues e homem de negócios (Imagem: Reprodução)

 

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