Teamwork Makes the Dream Work – DeeDee Trotter na EEFE-USP

Por André Romani e Bruna Arimathea

Apesar dos revezamentos, o atletismo é comumente tratado como um esporte individual. Dessa forma, é no mínimo estranho que uma campeã olímpica da modalidade ministre uma palestra sobre a experiência de um trabalho realizado em equipe. Toda  essa estranheza desaparece, entretanto, logo que se descobre quem era a protagonista do encontro.

A EEFE Jr, empresa júnior da Escola de Educação Física e Esporte da USP (EEFE/USP), em parceria com a EF (Education First), convidou DeeDee Trotter, campeã olímpica – ouro no revezamento dos 400 metros tanto em 2004 quanto em 2012 e bronze na prova individual em Londres –  para apresentar a palestra ”Teamwork makes the dream work”.

Dee Dee Trotter observa a medalha que ganhou dos organizadores (Imagem: Breno Deolindo/Jornal do Campus)

A atleta dividiu sua apresentação em duas partes bem dinâmicas, nas quais conseguiu envolver o público de uma maneira única. Em pouco mais de uma hora de palestra, de forma muito simpática, ela contou um pouco sobre sua história. DeeDee sonhava em jogar basquete pela Universidade do Tennessee, onde realmente acabou estudando – Sociologia – mas como esportista do atletismo. Campeã olímpica em Atenas, a atleta chegou como favorita em Pequim. Há poucos meses da competição, no entanto, uma lesão colocou tudo por água abaixo.

A palestrante focou-se justamente nesses meses, entre o problema no joelho e os Jogos de Pequim. Ela contou que, após uma sequência de resultados ruins nesse momento antes das Olimpíadas, não entendia o que podia estar errado com sua preparação. Após chegar na última posição pela terceira vez consecutiva nos 400 metros, DeeDee entendeu que era preciso mudar a sua mentalidade acima de tudo.

“Positividade é transformar pressão em um poder positivo”, afirmou ao mostrar como precisaria mudar também o modo como encarava a situação. A maneira como ela se superou para conseguir disputar as Olimpíadas é vista, até hoje, como um exemplo de persistência no esporte. De forma heróica, obteve a classificação para os Jogos, nos quais acabou eliminada na semifinal

A partir desse caso, Trotter retomou o tema com o qual abriu a palestra: o trabalho em equipe. Para um time funcionar, de acordo com as suas explicações, ele precisa de seus atletas em forma. Para ganhar, precisa que todos estejam no seu melhor momento. Assim, com o esforço da equipe unida por um objetivo, seria possível alcançar o resultado pretendido e o que estava em jogo: a medalha olímpica.

Já em Londres, DeeDee pôde ver a consequência do trabalho intenso em sua preparação. Após o ciclo olímpico ruim, a atleta conseguiu, por incrível um centésimo, a medalha de bronze na prova individual. Sem contar que foi novamente campeã olímpica no revezamento 4x400m.

Com muita irreverência, ela contou algumas curiosidades sobre o time campeão americano e deu dicas de como conciliar e se preparar para uma prova em equipe. Em seu discurso, deu ênfase para a comunicação entre os membros, o objetivo em comum, a disposição para o sacrifício de todas as partes e a necessidade de cada um dar o seu melhor, terminando sua fala com vídeos que ilustravam as provas desta competição.

A atleta sendo coach dos ouvintes da palestra (Imagem: Breno Deolindo/Jornal do Campus)

Na segunda parte, a americana passou de atleta a treinadora e conduziu uma série de exercícios com os participantes em uma quadra da faculdade. Ainda seguindo a temática de sua palestra, a atividade teve um forte apelo motivacional, sempre com palavras de ordem e motes, que eram repetidos com o objetivo de manter as pessoas ativas. Assim, DeeDee provocava o seu público e mostrava na prática uma pequena amostra do que fazia para superar limites durante os treinos.

O feedback do evento foi muito bom. De acordo com Thales Marcassa, 22, assessor da EEFE Jr, o encontro superou as expectativas: ”Saiu muito melhor do que o previsto. DeeDee foi excelente, uma palestrante incrível. Além de humilde, tem uma energia e uma habilidade de lidar com pessoas fora do comum!”, comentou. Ao final, a velocista atendeu todos os que estavam presentes, se despedindo com fotos, abraços individuais e com a certeza de ter deixado aos presentes a mensagem que veio com ela em todos esses anos de carreira: transformar em pontos fortes as dificuldades que a vida impõe e persistir sempre para alcançar o seu melhor.

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