Por dentro do futebol americano na USP

Por Bruno Menezes

No dia 4 de fevereiro, com a emocionante vitória do Philadelphia Eagles sobre o New England Patriots, terminou mais uma temporada da NFL (National Football League), principal liga de futebol americano do mundo. Apesar de não ser tão popular no Brasil como é nos Estados Unidos, o esporte conta aqui com um expressivo número de fãs, cujo contingente aumenta a cada ano. A ampla transmissão de partidas pelos canais ESPN é um dos motivos que explicam a popularização do futebol americano no país, ao promover o contato mais próximo entre torcedor e esporte. Outro fator é a presença de um brasileiro na liga, o kicker Cairo Santos, que atualmente defende a equipe do Chicago Bears.

Os fãs brasileiros são tão numerosos que muitas equipes de futebol americano foram criadas nos últimos anos. Na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, existem dois times de flag, modalidade mais branda do esporte. Para conhecer mais sobre essas equipes, o Arquibancada conversou com o atual diretor de modalidade (DM) do Politécnica Rats, Victor Coelho, e a antiga DM do USP Red Pandas, Paula Arantes.

Politécnica Rats

Apesar de um início de ano conturbado, os Rats conquistaram o Facens Bowl 2017. (Imagem: Victor Coelho)

O primeiro time de futebol americano da USP tem uma origem curiosa. Em um churrasco de confraternização da turma, alguns amigos fãs do esporte tiveram a ideia de criar uma equipe da modalidade, conta Victor. Foi daí que nasceu o Politécnica Rats, time que, apesar do nome, é aberto para a USP inteira. Idealizado no final do ano de 2011, os Rats já puderam se apresentar, na semana de recepção dos calouros do ano seguinte, como uma entidade esportiva da faculdade, e viram uma grande quantidade de interessados em fazer parte do time.

A equipe é especializada em uma variação do futebol americano conhecida como flag. A principal diferença entre as duas modalidades é que o contato entre os jogadores, no flag, só é permitido em caso de bloqueio. O tackle é proibido e, para interromper uma jogada, os defensores devem retirar do adversário que tiver posse da bola a sua flag – nome dado às fitas presas, uma de cada lado do atleta, através de um cinto. Além disso, o campo no qual a equipe joga suas partidas também tem tamanho reduzido – 60 metros mais as endzones – já que o número de jogadores por time também é menor, oito para cada, explica o wide receiver dos Rats.

Inicialmente, a ideia era criar um time para a Escola Politécnica, para que outras faculdades da USP seguissem o exemplo e montassem suas próprias equipes. Como isso não aconteceu, e havia uma grande quantidade de interessados no esporte de várias instituições do campus, os organizadores optaram por abrir a equipe para qualquer um que estudasse na universidade.

Quando perguntado sobre a possibilidade de os Rats se transformarem em um time full-pad, isto é, que utiliza os equipamentos de proteção do futebol americano tradicional, Victor explicou que essa era a ideia original, mas que foi abandonada devido ao alto custo dos equipamentos e outras complicações técnicas. Além disso, o DM ressalta que o principal objetivo da equipe no momento é continuar crescendo e se tornar um dos melhores times de flag 8×8 do país.

Antigamente a equipe sofria para arranjar um lugar para treinar. (Imagem: Bruno Menezes)

Os Rats já participaram de vários campeonatos da modalidade desde a sua fundação. Em 2013, por exemplo, conseguiram a façanha de chegar às semifinais do Campeonato Paulista de Flag, feito que impressiona pelo fato de serem apenas um time universitário. Além do mais, ajudaram a criar a LUFA (Liga Universitária de Futebol Americano), principal campeonato universitário do esporte, conquistado em três oportunidades – 2012, 2013 e 2015.

Apesar disso, Victor conta que os Rats passaram por problemas no início de 2017 e tiveram resultados insatisfatórios nos torneios que participaram, o que forçou uma troca de técnico. A mudança se mostrou positiva, e a equipe conquistou o título do Facens Bowl, campeonato organizado pela Faculdade de Engenharia de Sorocaba, e da Engenharíadas, quando representou a Escola Politécnica na maior competição de faculdades de engenharia do país.

Contando com cerca de 40 atletas de várias faculdades da USP, o Politécnica Rats treina todas as terças e quintas-feiras, a partir das 17h30min, no CEPEUSP. A seletiva deste semestre será nos dias 6 e 8 de março.

USP Red Pandas

Para participar de partida, os Pandas precisaram do uniforme dos Rats emprestado. (Imagem: Paula Arantes)

A fundação do primeiro time feminino de futebol americano da USP está diretamente relacionada com os Rats. Paula, que está na equipe desde o primeiro treino, conta que, quase quatro anos depois de sua criação, alguns membros do time masculino tiveram a ideia de organizar uma equipe exclusiva para mulheres. Para saber se havia interesse das garotas do campus em praticar o esporte, criaram um formulário na internet, e as várias respostas positivas tornaram possível o nascimento do USP Red Pandas em 2015. Mas a relação entre as equipes não para por aí. Há colaboração mútua e integração entre os Rats e os Pandas, sendo que a comissão técnica destes é composta por membros do time masculino até hoje.

A modalidade praticada pelas garotas é o flag 5×5, versão um pouco diferente da praticada pelos Rats, mas ainda assim parecida. A wide receiver dos Pandas explica que a menor quantidade de jogadoras, cinco para cada time, implica na criação de regras específicas para o bom andamento das partidas. Por exemplo, não há linha ofensiva e à quarterback não é permitido correr com a bola. Para compensar esses fatos, no entanto, a defesa deve começar as jogadas 7 jardas atrás de onde começariam em uma partida tradicional de futebol americano. Além disso, por causa do campo reduzido – 50 jardas mais as endzones – não há field goal, punt, ou kickoff; todas as campanhas começam obrigatoriamente na linha de 5 jardas do campo de defesa.

Os treinos acontecem no campo de areia do CEPEUSP. (Imagem: Bruno Menezes)

Sendo uma equipe muito nova ainda, os Pandas ainda não conquistaram nenhum título expressivo. Apesar disso, na primeira competição que participaram, a LUFA de 2016, as garotas sagraram-se vice-campeãs do torneio. De lá para cá, o time participou do Campeonato Paulista de Flag, mas a qualidade superior das outras competidoras fez com que os Pandas não alcançassem bons resultados. Apesar disso, a antiga DM da equipe ressalta que o desafio é importante para a obtenção de experiência no jogo e consequente melhora técnica.

O USP Red Pandas é composto atualmente por quase 20 jogadoras, das mais variadas instituições do campus, e os treinos acontecem todas as segundas e quartas-feiras, das 17h às 19h30min, no CEPEUSP.

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