Free Agency da NBA, o presságio de uma Liga imprevisível

Por Tainah Ramos 

Como funciona a Free Agency, o destino de LeBron nos Lakers, indícios de supremacia dos Warriors e uma Conferência Oeste movimentada

A NBA tem uma das pré-temporadas mais agitadas do mundo esportivo. O período entre o desfecho das finais e o início da temporada regular não dá descanso aos torcedores. Poucos dias após o último jogo da final, ocorreu o NBA Draft, evento em que as equipes profissionais recrutam atletas do esporte universitário. Também é o momento de torneios, como o Summer League, para testar novas peças e visualizar as carências no elenco. No entanto, o grande destaque da offseason é a free agency, com negociações que transformam o rumo das próximas temporadas.

Free agents – em português, “agentes livres” – são jogadores que não têm mais um contrato e estão livres para iniciar sua história em outra equipe. Isso ocorre quando os atletas cumpriram seu contrato pela franquia e não assinaram uma extensão. Ou ainda, é possível que o jogador tenha uma cláusula de se tornar um free agent ao longo de seu contrato. Essa circunstância possibilita que ele abandone a equipe caso esteja insatisfeito.

Quando chega o momento em que o atleta está autorizado a se tornar um free agent, ele tem a opção de sair de seu contrato e procurar outro time ou seguir seu contrato com a franquia atual. Tal liberdade, contudo, é um privilégio dos agentes livres irrestritos, normalmente nomes importantes da NBA.

Existem os agentes livres restritos, os quais, por não terem assinado uma extensão de contrato, podem receber ofertas de outros times. Se dentro de duas semanas sua equipe atual igualar a oferta, o jogador terá que permanecer, no mínimo, por mais dois anos.

As propostas aos jogadores sem contrato se esbarram em outras regras da liga, como o teto salarial. O salary cap possui suas flexibilidades e exceções – uma delas é que os times podem renovar com seus atletas que se tornaram free agents mesmo que o teto seja ultrapassado. A restrição para isso é apenas que o jogador já tenha tido três anos de contrato com a franquia.

Quanto às demais equipes, elas não podem contratar um agente livre com um acordo que exceda a quantia disponível abaixo do teto. Por exemplo, se o salary cap da liga é de US$ 100 milhões e a folha salarial do time é de US$ 85 milhões, o contrato máximo que pode ser oferecido a um free agent, para sua primeira temporada, é de US$ 15 milhões.

LeBron James: o free agent mais cobiçado da NBA

Durante todas as etapas dos playoffs em 2018, uma sombra acompanhou o Cleveland Cavaliers em todos os jogos: a possível saída de seu maior ídolo ao fim da temporada. O medo compartilhado pelos torcedores, jogadores e administradores do time de Ohio se concretizou. No primeiro dia da free agency, LeBron James optou por dar novos ares a sua brilhante carreira e assinou um contrato de quatro anos com o Los Angeles Lakers.

A decisão de LeBron era o evento mais esperado pelos fãs da NBA desde as finais. Mesmo com toda a hegemonia do Golden State Warriors, no dia seguinte ao título, LeBron e seu futuro estampavam as capas de jornais pelo mundo. O atleta, que começou sua carreira em Cleveland, foi o destaque do único título da história da franquia em 2016 e dos quatro títulos seguidos da Conferência Leste (2015, 2016, 2017 e 2018). Sem dúvidas, ele saiu com a sensação de dever cumprido.

O enorme banner com a imagem de LeBron em Cleveland é removido. (Imagem: Reprodução/Kristin Volk)

James comunicou aos Cavaliers, no dia 29 de junho, sua opção de entrar no mercado de agentes livres. Ele não deixou os fãs do esporte ainda mais ansiosos e não tardou em anunciar que iria aos Lakers, já no dia da abertura oficial da free agency.

O acontecimento já é, sozinho, impactante. Um ícone do basquete como LeBron James se une ao hall de ídolos que passaram pelo time aurirroxo. King James afirmou em entrevista à ESPN que foi difícil deixar Cleveland pela segunda vez, mas que ele e sua família ficaram satisfeitos com o desfecho.

O astro complementou, ainda, que pensou em ir ao Philadelphia ou ao Houston. Contudo, escolheu Los Angeles pelo desafio de “levar um time ao lugar onde eles não têm ido nos últimos anos”.

Um muro para LeBron, a nova esperança dos Lakers. (Imagem: Reprodução)

Pimenta no Oeste

A Conferência Oeste da NBA das próximas temporadas promete. O aquecimento desproporcional da Conferência é resultado não apenas da presença de LeBron James, mas também de outro free agent: DeMarcus Cousins.

O atleta assinou um contrato financeiramente bem abaixo do comum para se unir ao Golden State Warriors, o atual bicampeão da Liga. Com a movimentação de Cousins, a NBA possui pela primeira vez em sua história uma equipe com cinco all stars e quatro campeões olímpicos (Rio 2016). Sendo assim, o time de Oakland, além de consolidar sua hegemonia, tornou-se o time a ser batido.

DeMarcus Cousins vai para o GSW e confirma a hegemonia da franquia. (Imagem: Reprodução)

Os eventos da free agency somados às boas, regulares e organizadas equipes do Oeste, como o Houston Rockets, Oklahoma Thunder, Utah Jazz, San Antonio Spurs, farão da Conferência Oeste uma das mais apimentadas e competitivas disputas esportivas dos próximos anos, apesar do domínio do GSW.

Em um vídeo para o canal do youtuber Yuri Fonseca, o ex-jogador de basquete e hoje comentarista esportivo, Eduardo Agra enfatizou que o Los Angeles Lakers não é a atual potência da Conferência e nem mesmo favorito ao título. Entretanto, não se pode duvidar de LeBron James. O jogador é o melhor do mundo nos últimos dez anos e está motivado pelo desafio.

Os reais favorecidos por esses reviravoltas são os fãs do esporte, os quais verão com ansiedade e expectativa todo o desenrolar imprevisível da NBA e os jogos fantásticos que inevitavelmente ocorrerão.

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